DECLAMAÇÃO DE UM POEMA  A leitura silenciosa de uma poesia é feita do mesmo modo que a leitura de um texto em prosa, no ritmo natural do leitor. Já a leitura em voz alta de uma poesia pode assumir um status de declamação ou recitação. Em tal caso, algumas exigências devem ser satisfeitas. Vamos a elas. 1) A declamação não deve ser apressada. A poesia costuma encerrar preciosas idéias em poucas palavras. Uma leitura veloz poderá impedir o leitor e os ouvintes de captarem plenamente essas idéias. A leitura veloz poderá também “ocultar” uma alegoria ou figura de linguagem tida como ponto alto do texto. 2) Pronúncia cuidadosa de cada palavra. As palavras que formam cada verso foram, em princípio, objeto de acurada escolha por parte do poeta, e cada uma cumpre uma função também de ordem estética. Por isso, é necessário que cada palavra seja pronunciada com boa dicção para que o texto soe com toda sua poética. 3) Obediência à pontuação. É importante respeitar a pontuação na leitura de qualquer texto. No caso da poesia, a pontuação deve reger a declamação, mesmo que para isso se tenha que juntar versos ou partes deles, como nos exemplos a seguir:(Quando o poema não é pontuado, o declamador deve extrair a pontuação de acordo c/o contexto) 4) Modulação/Entonação de voz. Imprimir à declamação uma modulação ou entonação de voz (uma nuance), de conformidade com o que exprime o verso. 5) Pausa técnica. É um lapso de silêncio que o declamador impõe em meio à declamação, para realçar um momento do poema e criar uma expectativa. Nesse lapso de silêncio o declamador pode utilizar algum recurso de expressão corporal, um olhar etc. 6) Gestual. O declamador pode imprimir à declamação todos os recursos gestuais: movimento de braços, pernas, tronco, cabeça... de pé, sentado, ajoelhado... olhar, riso, choro, admiração, medo, alegria etc. É preciso dosar bem esses recursos. Os excessos podem desviar a atenção mais para o declamador do que para o poema declamado. 7) Caracterização. Um poema pode “pedir” uma caracterização de personagem. Uma roupa especial, um objeto, um elemento cenográfico etc.. 8) Naturalidade. As recomendações anteriores devem ser cumpridas sem prejuízo da expressão natural do declamador, que imporá o seu próprio estilo.