2000

Fundamos o ”Jogral Qualquerlua - por amor à poesia” em maio de 2000, com o intuito de integrar um grupo de pessoas amigas interessadas em compartilhar discussões sobre literatura, e principalmente declamar poemas. Estaríamos assim, ainda que em âmbito restrito, resgatando um costume que os tempos modernos praticamente extinguiram, o dos serões em família, nos quais se podia estreitar laços de amizade e convivência durante a apreciação de algum tema artístico-cultural de interesse comum.

Ao grupo inicial de cinco componentes, todos freqüentadores à época das reuniões do IAT - Instituto de Artes, Cultura e Ciências do Triângulo, foi dado reconhecer bem cedo a expressiva demanda existente para tal tipo de atividade cultural, uma vez que dois saraus – promovidos em casa, para convidados – foram o bastante para que o Jogral despertasse o interesse de pessoas ligadas à educação. Queriam elas que o grupo se apresentasse para crianças de escolas da rede pública de ensino.

2001

Na noite de 10 de julho de 2001, o Jogral Qualquerlua fez sua 1a apresentação pública, na Fundação de Aprendizagem e Desenvolvimento do Menor (FADESOM), para uma platéia de estudantes, familiares e professores. No transcorrer do mesmo ano, já contando com 10 participantes, o grupo compareceu duas vezes à Biblioteca Pública Municipal, com resultados muito animadores. As crianças não somente ouviram com atenção e interesse o Jogral Qualquerlua, como aceitaram elas mesmas declamar poemas ali dispostos.

Em 3 e 4 de dezembro de 2001, respectivamente, o Jogral fez duas apresentações públicas: uma no Uberlândia Clube e outra no Sahtten Comida Árabe. Na ocasião, apresentou A Poesia nas Asas do Tempo, um recital sobre a evolução da poesia no Brasil desde o século XVI, passando pelas escolas literárias, até chegar aos dias de hoje e culminar com a recitação de poemas de alguns poetas uberlandenses. O numeroso público que compareceu ao Sahtten foi brindado com um programa impresso contendo todos os poemas constantes do recital. A possibilidade de declamação foi estendida aos presentes, alguns dos quais aproveitaram a oportunidade.

 

2002

Em 8 de março de 2002 aconteceu, na Galeria de Arte Elizabeth Nasser, a exibição do recital Mulher: Musa e Poeta, em que o Jogral se apresentou de forma mais elaborada, ocupando os diferentes espaços daquele local. A presença sempre carinhosa e participativa de Elizabeth em todos os ensaios, a competente direção artística da maestrina Edmar Ferretti e o empenho de todos os componentes do grupo foram fatores decisivos para o êxito do recital que se destinava a comemorar o Dia Internacional da Mulher. Houve na verdade um duplo espetáculo, pois a noite teve também a presença do Coral da UFU que apresentou, sob a direção de Edmar Ferretti, a opereta “Juriti”, uma peça cômica escrita em 1919 pelo maranhense Viriato Correia (1884-1967), com música da carioca Chiquinha Gonzaga (1847-1935).

O 1o semestre de 2002 reservaria ainda mais duas apresentações ao Jogral Qualquerlua, ambas com declamação livre: uma no Clementina Piano-Bar, para comemorar o dia mundial da poesia (14 de março), e outra na Biblioteca Pública Municipal para alunos da rede pública de ensino.

O 2o semestre de 2002 não foi menos promissor. Coube ao Jogral Qualquerlua homenagear Carlos Drummond de Andrade, por ocasião do centenário de nascimento do poeta, no dia 31 de outubro daquele ano. O palco desta feita seria a Oficina Cultural, onde o grupo apresentou, em 16 de outubro, o recital Vasto Mundo, com poemas selecionados exclusivamente da obra de Drummond. O local utilizado possibilitou a colocação de alguns adornos à guisa de cenário, bem como a movimentação no palco de cada um dos componentes do grupo. A performance do Jogral Qualquerlua naquela noite mereceu a aclamação dos presentes e motivou alguns deles a declamarem em seguida poemas do poeta itabirano.

O ano de 2002 marcou também o início da participação do Jogral Qualquerlua na grade de atrações da Rádio Universitária FM da UFU, com o programa A Poesia nas Asas do Tempo, levado ao ar toda última 5a-feira do mês, às dez e meia da noite. Durante algum tempo, houve a reapresentação do programa na 6a-feira subseqüente, às seis horas da tarde. A periodicidade mensal perdurou de outubro de 2002 a janeiro de 2005, período em que foram levadas ao ar cerca de 33 audições de 21 recitais de poesia.

O Jogral Qualquerlua teve ainda a oportunidade de se apresentar ao vivo mais uma vez no ano de 2002. Foi no dia 23 de novembro, com o recital Vasto Mundo, para professores e alunos do Centro Universitário do Triângulo (UNITRI).

O compromisso assumido com a Rádio Universitária ao final de 2002, o de produzir e gravar um programa por mês, levou o Jogral a estabelecer uma rígida rotina semanal de ensaios, tendo como conseqüência o fortalecimento ainda maior dos laços de convivência do grupo. 2003 Em 15 de maio de 2003, a poeta Marina Colasante proferiu uma palestra na Oficina Cultural, por iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com a empresa TIM/Maxitel. Na ocasião, o Jogral Qualquerlua fez uma breve declamação de poemas e ofertou à ilustre visitante um CD contendo dois recitais de poesia. Marina respondeu com as seguintes palavras: “. . . fiquei encantada com o grupo de vocês, doces vozes de jogral. Parabéns e obrigada”.

Duas outras apresentações públicas do Jogral aconteceram em 2003: em 30 de novembro, para idosos residentes no Lar de Amparo e Promoção Humana, e, em 6 de dezembro, na Feira Mística instalada na Praça Cel. Carneiro.

 

2004

Em 2004, uma única apresentação pública aconteceu, novamente na Feira Mística, em 6 de março.

 

2005

O ano de 2005 reservou ao Jogral Qualquerlua duas apresentações públicas. A primeira delas em 30 de maio, na Faculdade Católica de Uberlândia, como participante no evento “Cultura e História Luso-Brasileira”. Na ocasião, o Jogral apresentou o recital Teia de Enigmas – a Poesia em Fernando Pessoa.

Em 25 de agosto, coube ao Jogral participar da semana de comemorações do 117o aniversario de Uberlândia, apresentando nas dependências do Museu Municipal o recital Todos cantam sua terra. Também vou cantar a minha.

Em vista da experiência acumulada pelos declamadores no trato da poesia, e do acervo de recitais então disponível, foi possível tornar semanal o programa radiofônico A Poesia nas Asas do Tempo, mesclando recitais inéditos com reapresentações do acervo.

Em dezembro de 2005 o Jogral Qualquerlua atingiu a marca de 33 recitais de poesia gravados. O programa A Poesia nas Asas do Tempo foi ao ar cerca de 84 vezes, desde a sua estréia, em outubro de 2002.

A história do Jogral Qualquerlua estaria incompleta se não fossem registrados aqui alguns fatos e lances pitorescos que vêm constituindo por anos seguidos a rotina de atividades deste grupo de declamadores, em dois momentos distintos: nos ensaios semanais e nas gravações.

Os ensaios foram ganhando forma e consistência à medida que se sucediam no tempo. Inicialmente, o grupo se limitava a declamar poesias avulsas, escolhidas de forma arbitraria e impressas em diferentes versões, contendo cada uma delas determinados versos em negrito e dirigidos a estes ou aqueles declamadores. Deste modo criava-se um “efeito de declamação”, ora superpondo vozes, ora alternando vozes individuais. Foi assim que o Jogral fez suas primeiras experiências e se apresentou publicamente.

A concretização de uma idéia veio dar forma definitiva ao modo de atuação do Jogral. Em vez de declamações avulsas, passou-se à prática de reunir um conjunto coerente de poesias que dissessem respeito a algum tema ou a determinado poeta. O conjunto de textos ganhou status de recital graças a dois fatores primordiais: um roteiro narrativo construído com o intuito de desenvolver um determinado tema, além de ligar os poemas uns aos outros, e a introdução de uma trilha sonora, tal que a cada poema e trecho narrativo correspondesse um fundo musical especialmente selecionado, na maioria das vezes da trilha sonora de algum filme. O primeiro recital composto nesses moldes foi “A Poesia nas Asas do Tempo – um passeio pelas escolas literárias” que, mais tarde, daria nome ao programa radiofônico já mencionado.

A instituição de um modelo de recital, previamente escrito e acompanhado de uma trilha sonora, determinou a padronização dos ensaios do Jogral Qualquerlua. É preciso acrescentar, no entanto, que as reuniões do Jogral têm sido bem mais do que ensaiar a declamação de cada poema de um recital a ser gravado proximamente. Os encontros semanais se transformaram em fortalecimento permanente da amizade entre os seus integrantes e ocasião para um deleite gastronômico, durante o qual se conversa de tudo, se comemoram os aniversários; enfim, reforçam-se os laços de convivência por obra e graça da poesia, que tudo isso vem permitindo e proporcionando.

A gravação de um recital é o momento em que se cumpre tudo aquilo que foi discutido e trabalho nos ensaios. Um momento de avaliação mútua, em que o menor erro ou imperfeição na declamação de um verso determina a sua repetição, tudo isso permeado por um clima de descontração e muito bom humor.

Este período compreendido entre 2000 e 2005 não encerra toda a história do Jogral Qualquerlua. O grupo de declamadores seguiu sua rotina nos anos subsequêntes, vindo a completar 10 anos de atuação em 2010. Clicando em "apresentações" você saberá a respeito das atividades do Jogral, até dezembro de 2011.

Bem-vindo ao convívio do Jogral Qualquerlua. Somos um grupo de declamadores de poesia, constituído atualmente por onze integrantes. Você pode conhecer cada um deles clicando em “integrantes”. Pode, também, conhecer a história desse grupo, que já se alonga por 11 anos. O Jogral Qualquerlua está atuante desde maio do ano 2000. Desejamos que você compartilhe conosco da magia do universo poético.